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Crítica | Bingo – O Rei das Manhãs



Bingo – O Rei das Manhãs é um filme sobre a vida de um palhaço que não chega aos cinemas para brincadeiras. Ao longo de suas quase duas horas de projeção, o drama sobre Augusto Mendes, o homem por trás da máscara, assume a seriedade necessária para contar uma história de altos e (principalmente) baixos, que ele passa por conta de suas próprias decisões. A trama é levemente inspirada na vida de Arlindo Barreto, um dos atores que interpretou o Bozo na TV, mas usa um tanto de licença poética para deixar a história mais fluida. O mais impressionante é que algumas partes mais controversas e inusitadas, como um ator de pornochanchadas virando apresentador de programa infantil, realmente aconteceram. O filme tem uma estrutura simples de ascensão, queda e superação, mas consegue ser memorável, alternando momentos de humor com timing preciso, drama e uma melancolia inesperada nos olhos de um palhaço. Nas cenas em que tira a maquiagem de Bingo, Vladimir mostra o peso de um ator que está constantemente em conflito: ao mesmo tempo em que é um líder de audiência, ele é um ilustre desconhecido. De que vale a fama, se ninguém pode saber?


Daniel Rezende assina a direção do filme com uma linguagem visual marcante e dinâmica: usando transições envolvendo panorâmicas de uma cidade, de maneira criativa, para mostrar a passagem do tempo, e composições de cena maravilhosas, Bingo – O Rei das Manhãs faz com que o olhar do espectador passeie por cada detalhe.

Em um momento que Augusto está com o filho, por exemplo, mas não está realmente presente como pai, o diretor usa um enquadramento que mostra o homem em primeiro plano e a criança desfocada, em segundo plano — uma metáfora perfeita para o que está acontecendo na vida dos dois, com o garoto sendo relegado, aumenta o peso da cena, e serve à história, acima de tudo. Escolhas estéticas do longa, com uma fotografia que usa cores excessivamente saturadas, ajuda a transportar o espectador para os exageros dos anos 1980.

Os letreiros neon, a maquiagem pesada, os cabelos armados e as roupas ousadas combinam com outro tipo de excesso também presente no filme: o abuso de drogas do protagonista.


Leandra Leal, Vladimir Brichta e o diretor Daniel Rezende.

O conjunto da boa direção e com roteiro bem escrito deu espaço para o elenco brilhar e eles aproveitaram a oportunidade. Vladimir Brichta toma o filme para si, transparecendo a agonia e sofrimento do protagonista carismático que não consegue controlar seus excessos com as drogas e não sabe lidar com suas responsabilidades como pai. Leandra Leal, que interpreta Lucia, diretora do programa, consegue escapar de alguns clichês sobre pessoas religiosas que teriam transformado a personagem em um mero fetiche para Augusto, como uma beata que na verdade é devassa, ou um alívio cômico. Ela consegue ser firme em suas resoluções, sem ser caricata. Com direção e atuações fenomenais, Bingo – O Rei das Manhãs, é um filme único — um caso curioso de um longa que poderia ser apenas uma simples biografia mas extrapola o seu palco. Talvez, da mesma maneira que Bozo, é possível que se torne memorável para toda uma geração.

por Marina Val

(Editora-assistente no Jovem Nerd News)

Fonte: Jovem Nerd

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